Do Título da Euro á nova ausência em Copa do Mundo: Itália Revive fracasso

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Parecia ser o renascimento de uma gigante. Depois de viver uma catástrofe futebolística, ao se ver sem vaga para a Copa do Mundo de 2018 após derrota melancólica para a Suécia, a seleção italiana deu a resposta na Euro 2020 com um time renovado e que jogava um bom futebol. Mas o título europeu não passou de um respiro, um ponto alto, claro, mas situado entre dois profundos buracos. Ao perder por 1 a 0 para a Macedônia do Norte, a Azzurra mais uma vez não estará presente em um Mundial. Acompanhará o torneio de 2022, no Catar, apenas pela TV.

 

Mas como um time que parecia estar em viés de crescimento, repleto de talentos, deixou o céu para voltar ao inferno? A equipe italiana era favorita para conseguir a vaga direta nas Eliminatórias europeias (dentro de um grupo com Suíça, Irlanda do Norte, Bulgária e Lituânia), mas foi extremamente irregular.

 

Ainda assim, esteve a um gol de garantir sua classificação para o torneio no final de 2021. O duelo contra os suíços estava empatado em 1 a 1 e Jorginho, um dos melhores batedores de pênaltis do mundo, teve a chance da marca da cal para estufar as redes. Desperdiçou. Hoje é fácil falar (e escrever), mas aquilo não foi um bom sinal. A Suíça ficou, posteriormente, com a vaga do Grupo C. Aos italianos, sobrava a repescagem.

 

Favorita contra os azarões da Macedônia do Norte na repescagem, poucos imaginariam a Itália sofrendo sua primeira derrota nestas Eliminatórias. Até porque a Azzurra jamais havia sido derrotada dentro de casa em jogos que valeram classificação para Mundiais. Pois agora foi.

 

O time treinado por Roberto Mancini pressionou, mas enfrentou dificuldades contra a defesa fechadinha dos adversários. E também desperdiçou gols. O castigo veio a reboque com o gol de Aleksandar Trajkovski nos minutos finais. Como se não bastasse o drama, no último lance a esperança de um golzinho de empate se esvaiu com a bola saindo para fora.

 

Os norte-macedônios agora enfrentam Portugal, que passou pela Turquia.

 

Aos italianos, a imagem foi de jogadores com a cabeça baixa. Se podemos às vezes evitar termos como “vergonha” e “vexame”, é impossível não utilizar a palavra fracasso para definir o desfecho da Itália pós-conquista da Eurocopa.

 

Os recordes históricos, negativos, falam por si: antes do revés por 1 a 0 contra a Macedônia do Norte, a Azzurra jamais havia sido derrotada dentro de casa em jogos de Eliminatórias — foram 48 vitórias e 11 empates nos 59 jogos anteriores. Acima de tudo, a seleção italiana, orgulhosa de seus quatro títulos mundiais, nunca havia ficado de fora de suas edições consecutivas de Copa do Mundo.

 

O tamanho do trabalho a ser feito não parece ser tão hercúleo quanto o de 2018, quando o treinador (Giampiero Ventura) claramente não estava apto ao cargo que tinha e o grupo de jogadores precisava de um evidente rejuvenescimento. Ainda assim, mais uma vez a Azzurra precisará olhar para si e repensar algumas coisas.

 

“Acho que se julho passado (com o título da Eurocopa) foi a melhor coisa que tive profissionalmente, acho que esta é a maior decepção. Você não pode dizer nada. Isso é futebol. Às vezes coisas incríveis acontecem e esta noite aconteceu”, disse o técnico Roberto Mancini à RAI, após a traumática derrota. “Fizemos de tudo para tentar vencer. É difícil falar sobre a partida… Algumas partidas são assim”, completou.

 

Depois de reviver o mesmo fracasso de quatro anos atrás, apesar do título da Euro, a seleção italiana volta a ficar fora da maior competição do esporte. As aleatoriedades do futebol, como um gol sofrido no fim de uma partida contra um adversário mais frágil, não são desculpas quando se teve oito jogos anteriores contra adversários mais frágeis.

 

Os italianos terão que esperar 12 anos, no mínimo, para verem a Azzurra mais uma vez em uma Copa do Mundo.

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